segunda-feira, 21 de julho de 2014

VEGETARIANA? NÃO, OBRIGADO.

Não gosto de radicalismos. Sejam eles sobre o tema que forem. Para mim, tudo na vida tem de ter equilíbrio e bom senso. E definitivamente, esta onda do vegetarianismo obsessivo enerva-me. O fundamentalismo à volta desta crença chegou ao cúmulo de nos impor o sentimento de culpa por respeitarmos a nossa natureza biológica de omnívoros!

Recuemos no tempo. Nos primórdios da evolução humana, os nossos descendentes primitivos comiam plantas e caçavam para a sua sobrevivência. À medida que foram evoluindo, organizaram-se em sociedade e da caça, passaram a fazer a sua própria criação, poupando assim a vida selvagem. A minha avó criava galinhas, patos, porcos e vacas. Vivia do que criava. Não o fazia por ignorância por falta de cultura. Fazia-o por instinto. A nossa constituição biológica é testemunha que a nossa natureza é também comer carne. Só a título de exemplo, se o ser humano fosse vegetariano teria nascido com dentição e estômago de ruminantes. Fazemos parte de uma cadeia alimentar onde todos são imprescindíveis e onde a "morte" para alimentação não é chacina mas sim sobrevivência. 

É certo que o corpo humano consegue viver só de plantas. Mas é errado dizer que vive melhor. O nosso corpo é de tal modo magnífico que consegue adaptar-se a todas as adversidades por muito austeras que sejam. Tirem-lhe a carne, e ele resiste! Tirem-lhe o pão, e ele resiste! Tirem-lhe a massa, e ele resiste! Tirem-lhe os vegetais, e ele resiste! Tirem-lhe a comida por completo, e ele resiste por mais de um mês!! Apenas a uma coisa sucumbe ao fim de 7 dias: falta de água! Por isso, afirmar-se que se vive muito bem só comendo vegetais não deixa de ser uma verdade com duas realidades: sim, o corpo aguenta.  Não, esta não é a dieta adequada ao ser humano!    

Mas o pior é que os fundamentalistas da causa, não se ficam por aqui. Para justificarem a sua adesão, auto-afirmam-se amigos dos animais e logo, deixam passar o sentimento de que só é amigo destes quem come plantas! É o contra-senso total! Então devo depreender que há espécies de seres vivos privilegiados que não devem ser comidos e outros que até o podem ser? Não serão as plantas, elas também seres vivos tão dignos de serem mantidos  como as galinhas os patos ou os porcos? Não terão elas até maior nobreza no papel ecológico e ambiental que desenvolvem no nosso planeta, limpando todos os dias o ar que respiramos, muito mais importante que a galinha que se limita a comer e defecar? E fazer hortas sejam domésticas ou em escala industrial, não será um gesto de matança desmesurada e condenável? Parece que não. Só os mamíferos ou peixes é que parecem ter direito à vida...   

Acontece que todo os ser vivo é imprescindível à vida precisamente porque uns pertencem à cadeia alimentar de outros  e a sobrevivência de ecossistema depende da morte de uns em prol de outros. Nada a fazer. São leis da natureza em que o Homem interfere mas não altera porque se o fizer, condena espécies. Não vejo nenhum radicalista a contestar a natureza carnívora do leão que caça a coitadita da gazela indefesa  e a come. Não deixa de ser um cenário bárbaro. Então porque não os põem a comer ervas ou ração? Porque deixam que ele continue a matar "inocentes"? Não será esta prática condenável e merecedora de intervenção? E nesta perspectiva, serão os animais herbívoros melhores seres do que os carnívoros só porque comem plantas?

Sim é verdade que hoje se assiste a uma massificação da produção e matança animal. Que se lida com eles de forma cruel sem comparação alguma com o que se fazia no tempo da minha avó que cuidava deles todos os dias com carinho em condições mais dignas. Mas é aí que se deve intervir. Criar regras, limites a toda a selvajaria que por aí inunda e que deve ser criminalizada. Fazer educação alimentar ensinando a comer de forma equilibrada sem excessos, seja de carne, seja do que for, obrigando a industria a resfriar e sair do "TGV" de consumos para passar para a "locomotiva"  dos bons velhos tempos. Incutir de novo a criação em casa de hortas e animais que além de serem muito mais saudáveis protegem as espécies.

Não sou assassina de animais indefesos e não tenho pudor em fazer criação em casa. Gosto de comer carne ,sim, e não vejo qualquer problema nisso. Manter-mo-nos fieis à nossa natureza é um direito que devemos viver sem culpas onde o fundamentalismo vegetariano não tem lugar. 

     


sexta-feira, 4 de julho de 2014

O QUE SE DIZ A UMA MÃE QUE PERDE UM FILHO

O que se diz a uma mãe que acaba de perder um filho? O que se diz a alguém a quem a morte arrancou sem prévio aviso metade do seu ser? O que se diz a quem os lábios debitaram toneladas de afecto, cujos  braços confortaram quilómetros de vezes no seu regaço e agora resta-lhe o vazio imenso?  

Nada. Não se diz nada. Porque nada, é a forma melhor de se dizer o que não se pode dizer... Porque as palavras é o que menos se quer ouvir a menos que seja para dizer que tudo não passou de um sonho mau. A menos que seja para dizer "ele partiu mas vem já...", a menos que seja para dizer que tudo não passa de invenções dos paparrazi cor de rosa...   É no silêncio que falamos. Silêncio profundo carregado de dor seguido de um abraço forte onde se chora junto... em silêncio. Porque só nele ouvimos a voz do coração e só ela pode confortar uma mãe de tamanha devassa. 

Eu sei que todos os dias há mães que perdem filhos, mas a Judite não é só mais uma mãe. É alguém que todos os fins de semana entrava na minha casa para me dizer boa noite e dar-me a conhecer as últimas novidades do país e do mundo. Fazia parte da minha vida como tantas outras coisas. E não consigo ler as notícias que saem sobre o assunto sem que as lágrimas me corram copiosamente pelo rosto. Uma angustia profunda tomou conta do meu peito como se de repente sentisse que a qualquer momento poderei ser eu a próxima vítima. Porque ela não escolhe credos, nem religiões, status ou idade. Ela vem sorrateiramente ávida de morte e transforma em noite a nossa vida implacavelmente sem mandato, sem sinais, sem nada... 

Hoje como tantas vezes, meu filho pediu-me para dormir com ele. E ao contrário de tantas outras vezes, acedi sem demoras nem contestações. Marimbei-me para aquilo que é correcto ou errado. Deixei que se enroscasse  em mim e na penumbra do quarto pedia baixinho a quem me ouvisse, que não deixasse meus filhos "partirem" antes de mim... Porque hoje mais do que nos outros dias não quero saber o que isto é. Não quero experimentar esta ausência macabra, não quero ser castrada do meu único e verdadeiro sentido da vida. Não quero que me rasguem a alma arrancando-me o que de melhor soube fazer: ser mãe. 

E porque nada se diz a uma mulher que perde um filho, nada digo à Judite. Ofereceu-lhe o meu humilde silêncio levado por um abraço virtual  que espero, a ela chegue carregado de carinho porque também sou mãe.