quinta-feira, 29 de outubro de 2015

DIZEM QUE PARTISTE






Dizem que partiste. Que já não estás no meio de nós. Mas como podes ter partido, se todos os dias conversamos. Se todos os dias me dás conselhos... 

Como podes ter partido, se todas as noites nos despedimos com um beijo, se todos os dias acordamos juntos. Como podes estar longe se eu te sinto pousado em mim quando choro, se eu te sinto a empurrar-me quando hesito, se eu te vejo quando fecho os olhos... Se me sorris quando te agradeço...

Dizem que partiste, mas como?, se teu cheiro continua aqui. Tua gargalhada ainda se faz ouvir. Se teu sorriso nasce todos os dias no meu.... Teu coração bate forte dentro do meu peito, teu legado caminha dentro de mim...

Dizem que partiste, mas só parte de nós quem nunca existiu. Só parte de nós o que não foi amado. E tu pai, foste o amor da minha vida, o amor para toda uma eternidade. 

Não partiste nem partirás  porque moras em mim, e em mim, jamais morrerás.

Até logo meu Anjo.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

OBRIGADA POR CÁ ESTAR!







Que cada dia seja mais um dia de caminhada firme onde as pedras que te tropeçam edifiquem em ti e nasça fortaleza...

Que nunca te falte um abraço, um beijo para dar e muitos outros para receber. Dos que já amas e dos que te amam ainda sem saber...

Que a vida te rodeie de pessoas sem artifícios, puras e sinceras, numa amizade cristalina, onde as mãos se cerram em união, sempre que a tempestade vem...

Que a saúde te acompanhe para onde vás e seja teu anjo protector, para que teu tempo se prolongue entre nós e não nos faltes...

Que jamais percas esse sorriso divino, que irradia no teu rosto, pondo a nu tua alma tão nobre de generosa...

Que continues a ser esse raio de sol que nos inspira, que nos aquece e nos ensina a sermos fortes no meio dos cataclismos ...

Que as tuas lágrimas se transformem em pérolas e jamais te inundem na dor ou tristeza...

Que nunca deixes de ser, que nunca deixes de acreditar...

...porque onde quer que estejas, onde quer  que a vida te leve,  dentro de ti vou estar, e ao teu ouvido, todos os dias segredar "gosto muito de ti amiga! obrigada por cá estar!"


Feliz aniversário!

Dedicado à minha querida amiga Olivia

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

É PRECISO APRENDER A DIZER "NUNCA MAIS"






Há quem diga " nunca digas nunca". E de facto confirma-se. Mas só em parte. Há aqueles "nunca" que depois se transformam num "talvez",  ou mais tarde num "certeza que sim". Mas há aqueles, que resultam duma aprendizagem. De um experimentar de situações, um tanto ou quanto trágicas, dolorosas ou traumáticas, que surgiram para nos ensinar a não voltar a repetir. E esses são "nunca" do tipo "nunca nunca mais", mas mesmo, "nunca nunquinha mais"! Porque se não soubermos separar os "nunca", o mais certo é, mais dia, menos dia, voltarmos a entrar no pântano das desilusões...

Aprendi esta triste lição da vida à conta de mais um erro colossal e digo em pleno pulmões a quem me quiser ouvir, nunca mas nunca mais faço parcerias em negócios com ninguém; nunca nunca mais, acredito nas pessoas antes de ver se são verdadeiramente o que dizem ser; nunca nunca mais, deixo entrar na minha vida gente, sem dar tempo ao tempo para lhes conhecer os reais sentimentos, para dar tempo de caírem as máscaras; nunca nunca mais, me apresso a dar canas em vez de ensinar a pescar; nunca nunca mais me deixo enganar...

Porque a vida é feita de lições. Lições que como na escola, têm de ser aprendidas e memorizadas. Têm de ser transformadas em ensinamentos. E o tempo, esse mestre feito de sabedoria, não pode ser apressado. Porque a pressa é inimiga. E se não  aprendermos o que ele nos ensina, o sofrimento instala-se. A revolta destrói. O ódio nasce. E a liberdade de viver em paz, perde-se.

Aprender a dizer "never again" é crescer. É criar defesas. É amor próprio. E só ele dá imunidade ao sofrimento... e nos preserva do mal.




SOU EUROPEIA





Vir da América e aterrar em 1979 em Portugal, era como chegar hoje a um país subdesenvolvido. Recordo-me ainda do choque. Não haviam autoestradas que nos levasse do aeroporto de Lisboa até à terra natal da minha mãe, no norte. Ia- se pela estrada nacional, que aos meus olhos era estreita e cheia de curvas, mau piso e demorava horas infindáveis. Quando paramos para comer, o empregado de mesa não sabia o que era coca-cola, mas que tinham "spur cola", que provavelmente seria idêntico. Os carros tinham todos aspecto de velhos  e pequeninos. As casas, um ar empobrecido e deslavadas sem jardins e com  quintais feios. As vacas da terra passeavam-se com seus donos pelos caminhos e estrada, deixando o odor a bosta um pouco por todo o lado. Quase todos os habitantes da aldeia tinham gado e dedicavam-se à agricultura de subsistência. As compras faziam-se na "venda", pequeno estabelecimento com balcão, onde se pedia o que se queria levar. O melhor supermercado era em Viana, na cidade, mas nem esse convencia. Assim que entramos, perguntei atónita: "mãe!, isto é um supermercado?!" habituada que estava às grandes superfícies! A hora da missa também era um momento estranho tirado duma outra dimensão. A igreja era dividida em dois: homens à frente; mulheres atrás. Com o pormenor de não existirem bancos. Era em pé que se ficava durante uma hora. E quando a fadiga aparecia, estendia-se um lenço no chão e sentávamo-nos. As mulheres, sempre de negro, vestiam saias largas e compridas, lenços na cabeça e xailes pelas costas. Os homens não saiam sem a boina. A escola era outro pesadelo. Mesas de madeira velhas, um quadro de lousa minúsculo na parede  em  salas pequenas. Sem  equipamentos, sem material. Frias e descaracterizadas. Muito diferentes das escolas que conhecera, acolhedoras, cheias de tecnologia, equipamentos didácticos, amplas e cheias de luz. E ainda a televisão! Ah! a televisão! A preto e branco. Só com um canal. O canal do Estado! E eu que já sabia que as havia a cores, enormes, com mais canais, mais escolhas  de programas, mais diversidade... Para não falar dos hospitais. Quando fui visitar meu avô no centenário edifício, recordo-me do momento em que, de tão velho que era, ao observar os buracos no chão, tinha medo que ele desabasse...

Aos olhos de quem nunca saiu daqui, Portugal era um país onde se vivia bem depois do 25 abril. Aos olhos de quem vinha doutra civilização, era pobre e atrasado. Daí a curiosidade dos meninos da escola pelas minhas histórias, em saber como era o mundo lá fora... E o espanto de não saberem sequer do que falava quando dizia que fazia compras em lugares tão grandes que cabia tudo lá dentro como se fosse uma cidade dentro de outra cidade... O mesmo acontecia quando descrevia as escolas por onde tinha andado... Do hospital onde tinha sido operada às amígdalas cujo quarto parecia de hotel...

A verdade é que, foi só depois de Mário Soares assinar a nossa integração na CEE, agora UE, que Portugal em quase 30 anos, mudou radicalmente. Passou a ser dos melhores em vias de comunicação; a ter escolas amplas tecnologicamente bem equipadas; hospitais com tecnologias de ponta; serviços públicos com muita qualidade. Devemos o que somos a esse tratado, a essa integração e digam lá o que disserem, foi das melhores coisas que podiam acontecer a um país periférico e sem recursos próprios, para alcançar tamanho desenvolvimento que nos pôs ao nível europeu.

Se hoje, apesar desta integração, não estamos bem, não se deve de todo a UE. Deve-se a "nós" (país) que não soube gerir os benefícios dessa integração e embriagado com os imensos subsídios e programas de desenvolvimento, esbanjou, esbanjou, esbanjou achando que era fonte inesgotável. Desde governos de todas as cores políticas, ministros, presidentes de junta, empresários, banqueiros, até ao nosso vizinho do lado, muitos foram os que deitaram mão a dinheiro destinado ao desenvolvimento, em uso próprio para compras de casa, de carro, de luxos... ou obras fúteis. Quantos de nós não conhece alguém que pediu subsídios a fundo perdido da UE para formação e nunca formou ninguém... Para estufas para produção agrícola e nunca plantou sequer 1 erva... Para a montagem de empresas... fantasma. 

Entrar na bancarrota e culpar os outros por isso, é um problema muito nosso. É cultural. A negação é a defesa de quem não consegue humildade suficiente para reconhecer os erros para poder corrigi-los. Porque se tivéssemos sido bons alunos, teríamos desenvolvimento e contas em ordem. E mesmo com colapso financeiro mundial, teríamos resistido, sem muita mossa, porque nossos cofres do Tesouro teriam fundos para suprir essa dificuldade. Como não foi o caso, e já estávamos tecnicamente falidos antes da recessão mundial, a bancarrota foi o que nos esperou.

Sou pró europa, sem sombra de dúvida! Porque com meus olhos vi a transformação gigantesca de evolução do nosso país. Há muito ainda por fazer. Há muito ainda para conquistar. Mas dentro da comunidade temos um suporte maior que bem aproveitado pode levar-nos ao nível dos melhores. Sozinhos é regredir. É isolamento. Sobrevivência. É passar de cavalo para burro, num piscar de olhos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

MINHA FILHA TAMBÉM EMIGROU



Não vou dizer que não assusta ver partir um filho para o estrangeiro. Nem sequer argumento sobre a saudade e a dor imensa que se sente na hora da partida. Mas os filhos não são nossos, são do Mundo. E vê-los partir um dia, voando pelas suas próprias asas, não é um pesadelo. É a concretização do sonho de qualquer mãe!

Que diferença faz, partirem de casa para trabalhar na capital ou para trabalharem em Londres? A distância. Essa distância que não passa de uma distância fictícia quando um avião permite ter nossos filhos ao pé de nós em duas horas. Quando muitos filhos, mesmo a morarem na cidade ao lado, passam meses senão anos sem visitar os pais. A distância é um problema que não existe onde existe amor. Porque os filhos onde quer que estejam a seguir suas vidas, não estão limitados pela distância mas sim pelo tempo e vontade. Tempo para poder estar com quem amam e vontade de o fazer. E quando assim o é, Londres, Paris ou Nova York é já ali...

Vi certo dia uma mãe a descabelar-se toda, como se a saída dos nossos filhos do país fosse uma tragédia. Como se, mesmo com um país próspero e sem crise, aqueles que não se conformam com migalhas salariais, não fossem sair. Nosso país tem uma cultura empresarial que nunca vai permitir salários e condições de trabalho equivalentes aos que se praticam lá fora. Não é uma questão económica. É cultural. Nossos empresários levarão ainda muitas décadas, sem crise, para deixarem de ser patrões e passarem a ser líderes. E pessoas inteligentes, corajosas,  apostam sempre mais alto e não têm medo de desafios para alcançar o que aqui, se torna difícil ou mais moroso. 

Meu pai, com 16 anos saiu da terra dele e procurou outros horizontes. O país não estava em guerra mas vivia estagnado pela ditadura. Podia ter ficado como tantos colegas que por cá ficaram. Mas quis ir mais longe. Quis alcançar outro nível de vida. E quando voltou, encontrou esses mesmos colegas, do mesmo jeito que os deixou: a viverem da agricultura e com casinhas modestas. A diferença entre ficar e ir, prende-se sobretudo entre alcançar objectivos mais depressa ou não sair da mediania... do viver à tangente. Para quem sonha do tamanho do Mundo, a primeira é sempre a hipótese mais apetecível. 

Porque criei meus filhos  livres para abraçar o Mundo, vê-los partir e concretizar sonhos de vida, é o maior dos orgulhos. E pouco me importa se o sítio onde vivem não se chama Portugal. O que me importa é que sejam felizes,  realizados e bem sucedidos em qualquer parte. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

CARTA À MINHA PIOR AMIGA QUE EU AMO



Sei que por esta altura, pensas que eu te odeio pelo que me fizeste. Sei que no fundo da tua alma, tu sabes,  que ódio é o mínimo que se pode sentir por uma criatura como tu. Porque tu sabes, que nunca perdoarias a alguém tamanho atrevimento. Mas quero que tu saibas que eu não te odeio. Amo-te! 

Sim! Amo-te muito por tudo o que me fizeste! Pela aprendizagem fabulosa sobre perversidade humana que me fez apurar o faro e detectar a anos luz, o cheiro podre de gente sem carácter. Amo-te pela  distância compulsiva que provocaste e que me protege da tua manipulação vil e insana. Amo-te ainda mais, pela máscara que deixaste cair e pôs a nu essa alma horrenda recalcada e mal resolvida. Amo-te pela pessoa que fizeste de mim com teu aprendizado.  Amo-te, porque daqui em diante, serás o meu "mestrado" de vida e com ele ensinarei, com teu exemplo sempre na ponta da língua,  a sociedade a proteger-se de gente como tu. 

Mas vou amar ainda muito mais, o dia em que tu, vais voltar à insignificância que eras antes de me sacanear. Voltares àquela vidinha de pobre coitada a viver de míseros biscates e trambiqueirices,  que juntavas a umas horitas de ensino em centros de estudo, onde tu não entregavas o certificado de habilitações, porque, na verdade, não o tinhas. Chegaste às minhas mãos desempregada e cheia de dívidas. Vou amar retribuir-te todo o meu amor, devolvendo-te essa vida que deixaste de ter, depois de me usurpar, mas com bónus de muitas mais dívidas para dares conta... 

Porque amor, com muito amor se paga, e sinto que estou em dívida contigo. Tenho o dever de te devolver em dobro tudo o que me deste. E acredita, sei ser muito generosa... E assim, vou amar cobrir-te de  sentenças judiciais com coimas generosas, de indemnizações correspondentes ao tamanho do meu sentimento por ti. 

E no fim, tenho a certeza que tu também vais me amar muito, porque te vou resgatar de ti mesma, e jamais terás vontade e possibilidade de prejudicar mais alguém na tua triste vida. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

AFINAL QUEM GANHOU AS ELEIÇÕES?



Quando me fui deitar no domingo à noite, não tinha qualquer dúvida de quem tinha ganho as eleições. Sem maioria, mas ganho. Agora estou perplexa. As  declarações de alguns lideres políticos deixam-me incrédula. Afinal numa competição não ganha quem, nem que seja por um voto, vai à frente. Ganha quem tiver uma maioria. Porque se juntarmos os adversários dá mais votos à "esquerda"! Assim entende-se  que,  um  atleta não ganha por milésimos de segundos. Ganha se a vantagem for superior ao total dos seus concorrentes! É isto que alguns andam a dizer!

Podemos não estar todos de acordo com a escolha. Podemos até achar injusta esta decisão. Mas foi o povo que elegeu. E o povo é soberano. Por sufrágio universal decidiu o seu destino e não me lembro de ver nas urnas um grupo radical da direita, de armas na mão, a coagir pessoas a votarem neles! Foram escolhidos em eleições livres e pacíficas. E por muito que doa ouvir, traduzem a vontade de 38% da população votante.

Nesta amazónia de incongruências surgem os líderes do Bloco e CDU, apelando à convergência dos partidos de "esquerda" como quem vende detergentes três em um, garantindo eficácia, mesmo que as linhas mestras de cada ideologia política sejam completamente opostas e ponham em causa a governabilidade do país! Catarina Martins que até tinha feito uma campanha coerente, desaba assim num segundo, para um discurso ditador. Uma ditadura de uma suposta "esquerda" que, por não aceitar um resultado óbvio, tenta contorná-lo corrompendo a vontade dos eleitores.

Não se fazem bons casamentos sem ideais convergentes. E tentar seduzir o PS a coligar com eles é como fazer um casamento de conveniência onde nenhum dos noivos se conhece nem fala a mesma língua, mas fazem-no para obter residência. Ao que parece,  pouco  interessa se a única coisa em que estão de acordo é serem  contra a austeridade. O que importa é unirem-se para impedir que os outros da direita governem. Se depois vão andar às turras todos os dias para implementar uma medida que agrade a todos da "esquerda", isso agora não interessa para nada. Ganhar o poder, mesmo que de forma "ilegítima" é o objectivo. Mesmo traindo a verdadeira vontade de um povo.

Estava longe de imaginar que partidos que enchem discursos sobre democracia e liberdade sejam protagonistas de tamanho atentado. E lembrei-me de repente duma militante ferrenha do Bloco que supostamente era muito  minha amiga. A quem dei emprego depois de criar um projecto conjunto. E que, pensava eu, era defensora de valores baseados em direitos iguais, como eu. Da noite para o dia, assim que viu que o negócio que criei já era próspero, alegando ser ela quem lá estava das 8h às 20h, usurpou-me o negócio. Coincidência? Talvez. Mas o certo é que Catarina, tal como minha amiga, assim que soube que o Bloco tinha passado a terceira força política, apoderou-se dos resultados eleitorais reivindicando-os como se fossem vitória dela! Acontece que tal como minha amiga, esqueceu-se que não tem legitimidade para o fazer. Que socialismo e comunismo não se fundem porque não defendem os mesmos princípios ideológicos. E que por muito que se esforce em demonstrar seu poder, 10% dos votos não fazem dela um poder absoluto que lhe permita passar uma borracha nos resultados eleitorais. Tal como dizia Abraam Lincoln " Se quiser por à prova o carácter de um homem, dê-lhe poder".

A haver coligações de esquerda com comunistas, teriam que ser feitas antes das eleições. E assim, de forma clara, apresentavam suas candidaturas e programas em conjunto. Tudo de forma transparente. Feito à posteriori é trair quem votou. Porque nestas eleições, quem votou PS, queria os socialistas no governo. Quem votou CDU e Bloco, queria os comunistas. Quem votou sabia claramente o que queria. Ao juntá-los agora sem ser por vontade explícita de um povo, é fazer política corrupta com os resultados eleitorais.

E assim, com esta presunção de direito ao poder, a esquerda de Catarina e do Jerónimo deu um tiro nos pés e outro na democracia.