segunda-feira, 21 de março de 2016

SOMOS TODOS IGUAIS






Não és o centro do Mundo só porque te passeias num bom carro. Não tens mais pinta porque veste Armani ou  calças Prada. Nem sequer és mais agradável porque cheiras a Hugo boss. Não, não és especial, porque conseguiste aquele emprego de topo em que mandas nos outros e ganhas acima da média para o  fazer.

Porque o Mundo, se olhares bem para ele, está-se pouco lixando para aquilo que tu julgas ser. O sol acorda todos os dias brilhando para todos, com a mesma intensidade. Não aquece mais uns que outros. Não ilumina só os que se julgam mais ilustres. A chuva, quando vem, não se desvia de ti. Nem consegues passar por entre os pingos. O vento quando sopra, vem em todas as direcções e onde quer que estejas, as rajadas não serão mais suaves porque estás ali, na esplanada a tomar o teu martini. Os pássaros, não cantam mais à tua passagem, nem as flores florescem porque tu existes. O Mundo acorda todos os dias igual para todos.

Então não andes por aí a pavonear-te como se fosses uma ave rara. Como se valesses mais que o padeiro ou a mulher da limpeza. Porque acredita, sente-se mais a falta de quem limpa e faz pão, do que aquele sentado num cadeirão.

Quando tiveres esses surtos de grandeza, em vez de gastares dinheiro numa viagem ao Dubai, ou às Caraíbas, visita cemitérios. Poupas dinheiro. E verás que gente como tu acaba exactamente como gente como eu: morto, com sete palmos de terra em cima, sem prestígios, sem destaques, sem glórias... 

Porque aos olhos do Mundo, somos todos iguais.

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