Quando ocorreram os atentados de Paris, um diálogo entre pai e menino junto às flores depositadas ao Bataclan, haveriam de me marcar para sempre. O menino questionava o pai sobre essas pessoas más que matavam. “...mas papá, dizia ele, eles têm armas” Sim filho. Eles têm as armas, e nos temos as flores”. Tenho pena, muita pena mesmo, que este homem não seja um líder mundial. Porque é de gente assim que o Mundo precisa para colocar seus destinos. Mas há poder maior que as flores? Que responder ao terrorismo, sem violência, sem ódios? Há maior força do que a união e vontade, através do amor pela humanidade e em nome dela, reunir esforços para combater este mal, sem lançar uma única bala?
O problema deste terror não é a religião. Não é a etnia. Não é de políticas de esquerda ou direita. O problema deste terror está na maldade humana. No ódio, na ganância e na vingança. Na luta pelo poder. E são estes que reduzem o ser humano aos seus instintos mais perversos.
Terroristas foram todos aqueles que promoveram a guerra, a matança de inocentes, muito antes destes, por interesses económicos e estratégicos. São esses que têm hoje sangue nas mãos de cada vez que deflagra uma bomba, por há 100 anos atrás ousarem matar para dominar um povo. Em nome de quê o fizeram? Não foi de Alá de certeza… Contudo, a chacina não teve oponentes. Que legitimidade tem o Ocidente, agora, de reclamar contra terrorismo que eles próprios fomentaram?
A hipocrisia atingiu o ponto de estarmos rodeados pelo medo e ninguém assumir que a culpa é nossa. E sem reconhecer este erro, jamais conseguiremos acabar com o terror. Porque o terror só termina, quando houver humildade para entender que a guerra não se combate com guerra. E que essa guerra fomos nós que a começamos.
Eles têm as armas, nos temos as flores. Temos o poder de os radicalizar, um a um, pelo bem, pelo respeito pelas culturas, pelo povo, pela nação, pela paz. Mostrar que evoluímos e aprendemos com os erros. Que soubemos corrigir o próprio mal que criamos. Neles.

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